Sete outros superintendentes – Pará, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul – foram mantidos nos cargos - 01/03/2019

Ibama do RN amanheceu a sexta-feira sem comando ou substituto

 

Sede do Ibama em Natal, sem comanda desde a sexta-feira

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Rio Grande do Norte amanheceu a sexta-feira de carnaval, 1º de março, sem comando.

Apesar da portaria da exoneração do atual superintendente, Paulo Kennedy Coelho, ter sido assinada no último dia 25 de fevereiro, as saídas dele e de outros 21 só foram publicadas na edição desta quinta-feira (28) do “Diário Oficial da União”, que não informou os substitutos.

Sete outros superintendências – Pará, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul – foram mantidas nos cargos.

Kennedy só deixou sua mesa de trabalho na manhã de quinta-feira, 28 de fevereiro, quando foi prevenido por um colega de Brasília da publicação das exonerações no Diário Oficial.

“A informação era de que cada superintendente seria avisado pessoalmente pelo telefone, mas eu não recebi nenhuma comunicação oficial desse modo”, disse Paulo Kennedy, brasiliense de nascimento.

“Por isso continuei trabalhando normalmente até ontem (quinta) pela manhã”, justificou ele ao conversar nesta sexta-feira com a reportagem do Agora RN.

Servidor de carreira desde a criação do órgão, em 1988, Kennedy tem sido requisitado toda a vez que um superintendente do Ibama no RN deixa cargo.

Assumiu a tarefa pela última vez em setembro de 2017, no lugar de Clécio Santos, afastado depois que a Polícia Federal deflagrou Operação Kodama, que investigava crimes de prevaricação, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro no órgão.

Sobre a decisão do ministro do Meio Ambiente de exonerar 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama, Kennedy comentou que os afastamentos podem ter qualquer motivação, menos a de que fazem parte de uma possível reação oficial à “indústria de multas” que o Ibama teria se transformado na ótica do governo Bolsonaro.

“As multas não são uma prerrogativa das superintendências regionais do Ibama, mas da direção de fiscalização em Brasília, ocupada por Luciano Evaristo, que era diretor de fiscalização, exonerado já há um mês”, lembrou.

O superintendente agora afastado disse que desde de quinta-feira não assina mais nenhum documento e não há nenhum substituto indicado para fazê-lo. “E olha que tem muita coisa pra assinar”, observou.

Foi a pedido do então deputado federal Rogério Marinho que assumiu o cargo com a missão de contornar o que ele mesmo chamou de “confusão grande na superintendência com servidores”. E explicou:

“Até onde eu sei estávamos tentando desconstruir a imagens de indústria de multas que diziam que nós éramos, como eu disse, um problema mais ligado à fiscalização e do que propriamente às superintendências”.

Mas reconheceu que havia brigas políticas internas.

“Os servidores mais novos queriam uma indicação do PT, especialmente depois da saída de Alvamar Costa de Queiroz, que deixou a função em 2015.

“Algumas pessoas sentiram perda de poder e começam a bater nos superintendentes que vieram depois”, lembra Kennedy, que antes de assumir a superintendência era chefe da Divisão de Administração e Finanças – Diafi.

Com 61 servidores lotados em Natal e Mossoró, dos quais apenas sete atuando na fiscalização, 50% desse total já se encontram tecnicamente em condições de se aposentar.

 “Eu mesmo tenho convencido muita gente a adiar o pedido pra não me deixar sozinho aqui”, afirmou Kennedy. Agotra RN.

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Comentários

disse:

em 31/12/1969 - 09:12