Retomada das aulas presenciais em escolas públicas e privadas no RN representa a circulação diária de 800 mil crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos - 31/07/2020

Comitê Estadual para Covid-19 avalia que não é seguro retomar aulas no RN

sala de aula educação

Comitê cientifico diz que 17% dos domicílios potiguares são coabitadas por crianças de 6 a 14 anos e pessoas com mais de 60 anos

O retorno prematuro de alunos às salas de aula no Rio Grande do Norte não é seguro e pode, inclusive, causar aumento nos casos infecção pelo novo coronavírus. A avaliação é do Comitê Científico Estadual de Enfrentamento à Covid-19, que atua forma consultiva para as decisões do Governo do Rio Grande do Norte relacionadas com a pandemia. O colegiado emitiu parecer nesta quinta-feira (30) recomendando que as atividades escolares, sejam em instituições públicas ou privadas, permaneçam suspensas em todo o Estado. 

 

Ainda de acordo com o comitê estadual, os cientistas ressaltam que o retorno às salas de aula deverá ocorrer apenas quando for verificado baixo risco de contágio entre os integrantes da comunidade escolar – pais, alunos, professores e demais trabalhadores da educação. “Não é possível iniciar as aulas neste momento, pois não é seguro para os trabalhadores da educação, bem como para toda a comunidade escolar, alunos e familiares”, traz a recomendação feita ao governo estadual. 

 

Segundo os cientistas, a precipitada abertura de escolas poderia impactar a taxa de isolamento social em todo o Rio Grande do Norte. Em Natal, a retomada das aulas em escolas privadas estava prevista para o dia 10 de agosto. Já a rede estadual discutia retorno no dia 17 do mesmo mês. Após protestos de pais, professores e entidades ligadas à educação, as datas foram abandonadas. 

 

O temor dos cientistas é o eventual aumento da circulação de alunos, professores e demais trabalhadores da educação, de pais e responsáveis, e de prestadores de serviços relacionados com a atividade escolar – como transporte público e particular –, possa gerar novas ondas de aumento de casos da Covid-19. 

 

“Neste contexto que ainda requer cautela e maior observação da evolução dos indicadores epidemiológicos, o retorno das atividades escolares pode representar um forte impacto sobre a circulação de pessoas e, consequentemente, sobre os níveis de transmissão da Covid-19. Somado ao expressivo contingente de matriculados no Ensino Básico no RN das redes estadual, municipal, federal e privada (superior a 800 mil) há de se considerar a indução a uma movimentação ainda maior de pessoas da comunidade escolar e fora dela”, pontuou o documento. 

 

O comitê também apontou que 17% dos domicílios potiguares são coabitadas por crianças de 6 a 14 anos e pessoas com mais de 60 anos, segundo levantamento feito pelo IBGE em 2018. O contingente é semelhante ao que foi publicado pelo Agora RN, em 27 de julho, que apontava para o potencial risco para 212 mil potiguares. O grupo é formado por idosos e os adultos com problemas crônicos de saúde que convivem diariamente com crianças e adolescentes em idade escolar. A quantidade de pessoas que ficará exposta ao novo coronavírus foi calculada por análise da Fiocruz com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

 

O comitê científico considera, ainda, que não há vacinas nem medicamentos com comprovação científica que possibilitem a cura para a Covid-19. Desta forma, é necessário manter níveis de isolamento social abaixo dos 40% com o objetivo de mitigar a probabilidade de infecção. 

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Comentários

disse:

em 31/12/1969 - 09:12