Revolta - 23/01/2022

200 jornalistas da Folha de São Paulo se revoltam contra o próprio jornal

Uma carta assinada por cerca de duzentos jornalistas do próprio jornal pedindo que a Folha de S.Paulo não concedesse mais espaço a ideias consideradas racistas foi divulgada na última quarta-feira. O jornal respondeu defendendo sua liberdade editorial e o imbróglio se fez. 

Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal 

Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha, 

Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa 

preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal. 

 

Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da 

chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha 

repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir 

para uma Folha mais plural. 

O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo 

de negros contra brancos ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1), 

em que Antonio Risério identifica supostos excessos das lutas identitárias, que 

estariam levando a racismo reverso. 

Para além de reafirmarmos a obviedade de que racismo reverso não existe, não 

pretendemos aqui rebater o que afirma o autor —pessoas mais qualificadas do que nós 

no tema já o fizeram, dentro e fora do jornal. 

No entanto, manifestamos nosso descontentamento com o padrão que vem se 

repetindo nos últimos meses. 

Em mais de uma ocasião recente, a Folha publicou artigos de opinião ou colunas que, 

amparados em falácias e distorções, negam ou relativizam o caráter estrutural do 

racismo na sociedade brasileira. Esses textos incendeiam de imediato as redes sociais, 

entrando para a lista de mais lidos no site. A seguir, réplicas e tréplicas surgem, 

multiplicando a audiência. 

Fonte: Terra Brasil  

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01