Comércio na Zona Leste de Natal acaba de perder megaloja; professora de economia acredita que há nova oportunidade de mercado para os pequenos negócios - 15/03/2022

Declínio comercial da Cidade Alta se agrava com fechamento da C&A

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Grande loja varejista de roupas, a C&A fechou as portas da unidade localizada na Cidade Alta, na Zona Leste de Natal, na última sexta-feira 11. O bairro é um dos principais centros comerciais da cidade, com bom movimento de consumidores, e já foi destaque por atrair estabelecimentos de peso. A unidade da multinacional, no cruzamento da Avenida Rio Branco com a rua João Pessoa, teve um comunicado aos clientes fixado em uma parede.

A empresa afirmou que as lojas em shoppings como Midway Mall, Natal Shopping e Partage Norte Shopping continuam em funcionamento, além do e-commerce que atende todo território nacional, e prometeu que não haverá demissões. “Seguindo com sua responsabilidade, a empresa oferecerá todo o suporte necessário aos associados, além de remanejá-los para outras lojas da região”, diz a nota oficial da C&A.

A decisão de encerramento das atividades foi bastante comentada, tanto por internautas surpreendidos pela informação, quanto por especialistas em economia – que também foram pegos de surpresa com o anúncio. É o caso da professora da Estácio, Sarlyane Braga: ao Agora RN, ela pontuou questões positivas e negativas como repercussão do fechamento da megaloja, inaugurada na capital potiguar em 1994.

A professora de economia acredita que o fechamento da C&A é negativo para o centro comercial na Cidade Alta, mas o movimento pode gerar novas oportunidades dentro do mercado para impedir o enfraquecimento do comércio local. “Os pequenos estabelecimentos podem ampliar seus negócios, investir na área na qual a empresa maior fechou. As empresas devem perceber que é uma nova chance para atuação”, pontuou.

Para Sarlyane, a crise causada pela pandemia pode ter motivado a situação, já que o número de frequentadores da Cidade Alta diminuiu. “O centro não é tão frequentando quanto a gente gostaria que fosse. Quando algo fecha, a visibilidade diminui. No entanto, é necessário que os pequenos negócios abracem os consumidores que ainda visitam a Cidade Alta para que eles não mudem as compras para outros polos comerciais. ‘Fechou uma grande empresa na região? Vou tentar encontrar uma estratégia para sobreviver no mercado’. É assim que deve pensar o empreendedor neste momento”.

Sarlyane relembrou ainda a saída da Renner do bairro. “O que está acontecendo para que as empresas deixem a Cidade Alta? É a baixa clientela? Esse é um ponto que deve ser investigado. Se há outros polos que estão atraindo os consumidores, o que a Cidade Alta está fazendo de errado?”, questionou. Para ela, uma possível solução pode ser o investimento em divulgação. “Sempre se fala em fazer compras no Alecrim, talvez seja algo cultural. Porém, o poder público pode e deve investir em publicidade, em divulgação da Cidade Alta”.

Marcelo Queiroz, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), também analisa o lado negativo do fechamento da C&A e reconhece o crescimento de outros centros comerciais em Natal. “Infelizmente, a Cidade Alta vem passando por um duro processo de declínio comercial nos últimos anos, com a migração e até fechamento de estabelecimentos decorrente de uma série de fatores, entre eles as limitações do antigo Plano Diretor de Natal, diminuição do fluxo de residentes, crescimento de outros centros comerciais na cidade e a dura crise deflagrada pela pandemia”, disse.

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Comentários

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em 01/01/1970 - 12:01