Favorecimento - 22/01/2023

TVs se queixam e dizem que Lula favorece jornalismo da Globo

                                                                  Imagem/Ricardo Stuckert Divulgação/TV Globo

Depois de apenas três semanas do novo governo do presidente Lula (PT), emissoras de TV paga e aberta já têm queixas a fazer sobre o novo governo. 

Jornalistas de três emissoras abertas e fechadas, ouvidos por esta coluna, afirmam ser "evidente que Lula já escolheu" quem será seu porta-voz, ao menos neste começo de governo: o Grupo Globo. 

Em nota, a assessoria do presidente nega qualquer favorecimento. A Globo, até o momento, não comentou. 

O que chama a atenção é que, por décadas, a Globo foi um alvo preferencial de Lula e o PT. O tom subiu ainda mais de patamar com o impeachment de Dilma Rousseff. 

Novo ano, novas diretrizes 

Mas, parece que agora tudo mudou. 

Desde o dia 30 de outubro, quando se elegeu, o presidente, seus ministros e seu entorno têm visivelmente dado preferência aos dois principais veículos do grupo da família Marinho. 

Na semana passada, Lula deu sua primeira entrevista no cargo para a GloboNews. 

As duas primeiras conversas exclusivas de Janja, a nova primeira-dama do Brasil, foram, respectivamente, para Globo e GloboNews. 

Ministros, por exemplo, têm falado com outras emissoras, mas também a preferência inicial dos mais importantes até aqui foi a emissora carioca. 

Vamos aos dados 

Em 31 de outubro, um dia após a eleição, após um longo período na "geladeira" da Globo News, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, entrou no ar no canal para falar sobre transição e outras medidas que seriam tomadas pelo novo governo. Havia meses Gleisi era considerada "persona non grata" na emissora. 

No dia 13 de novembro, foi a vez de Janja aparecer no "Fantástico" para sua primeira exclusiva. 

A primeira aparição do vice, Geraldo Alckmin (PSB), para uma conversa mais longa foi também na GloboNews, em 17 de novembro, com Miriam Leitão. 

O mesmo ocorreu com o ministro da Defesa, José Múcio, que falou sobre militares golpistas também no canal pago da Globo, em 9 de dezembro. 

Haddad 

A primeira fala do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também foi para a GloboNews, em 14 de dezembro. Vários veículos vinham pedindo esse privilégio a ele, que optou pela TV carioca. 

Curiosamente, em 2021, ele chegou a postar no Twitter uma crítica à cobertura da Globo, ao mesmo tempo em que elogiou a CNN Brasil por seu "equilíbrio". A CNN e a Band pediram reiteradamente a ele o direito da primeira exclusiva, mas o ministro preferiu falar primeiro com o canal global. 

Em 14 de dezembro, Gleisi, a "ex-renegada" pela GloboNews, voltou a aparecer na tela do canal falando com Miriam Leitão sobre indicação aos ministérios. 

Em 4 de janeiro, a ministra de Esportes, Ana Moser, também debutou no canal noticioso da Globo. No mesmo dia Alexandre Padilha (Relações Institucionais) fez o mesmo, assim como Margareth Menezes (Cultura). 

No dia seguinte, a primeira-dama Janja apareceu de novo, agora mostrando com exclusividade à Globo News o estado deplorável em que o Palácio do Planalto ficou após os quatro anos de Jair Bolsonaro. 

Outro lado 

Procurada, a Globo não se posicionou até a publicação desta nota. 

A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou o seguinte posicionamento: 

"Sobre a questão da programação de entrevistas, respondo só pelo presidente Lula. 

Ele fez coletivas, um café da manhã com jornalistas de dezenas de veículos, e apenas uma exclusiva. Fará outras, para outros veículos. 

Não respondo pela agenda de entrevistas de ministros ou da esposa do presidente. Não me dedico a avaliar subjetivamente coberturas das outras emissoras." 

Faça Seu Comentário:

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

 

Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01