Atos do Dia 8 de Janeiro em Brasília - 28/04/2023

Documentos mostram alerta da Abin a GSI e equipe de Dino sobre atos violentos em 8/1

                                                           Adriano Machado

 

Documentos obtidos pela Folha mostram que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou desde o dia 6 de janeiro alertas a Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional) e ao Ministério da Justiça, já sob o comando de Flávio Dino (PSB), sobre a possibilidade de ações violentas e invasão a prédios públicos nos atos que ocorreriam dois dias depois, em 8 de janeiro. 

Esses documentos foram enviados pela Abin à CCAI (Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência) do Congresso Nacional no dia 20 de janeiro. Os informes são mantidos em sigilo. 

Além do GSI, outros 13 órgãos receberam os comunicados, incluindo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, aponta o material que está em posse do Congresso. 

No Ministério da Justiça, de acordo com os documentos da Abin, quem recebeu informes ao menos desde o dia 2 de janeiro foi a Diretoria de Inteligência. A partir do dia 6, a PF e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) também começaram a ser atualizadas, daí já com menção à possibilidade de violência nos atos. 

No caso do GSI, a Abin aponta que o próprio Gonçalves Dias recebeu em seu celular ao menos três alertas desde o dia 6. 

Os documentos obtidos mostram os destinatários, horários e a íntegra das informações repassadas pela agência de inteligência. 

O GSI e a Justiça negaram ter recebido os comunicados. A defesa de Gonçalves Dias disse que não iria se manifestar. 

A primeira mensagem, enviada pela Abin às 19h40 do dia 6, já dizia que havia o "risco de ações violentas contra edifícios públicos e autoridades", a intenção de invadir o Congresso e o deslocamento de pessoas potencialmente armadas. 

"A perspectiva de adesão às manifestações contra o resultado da eleição convocadas para Brasília para os dias 7, 8 e 9 jan. 2023 permanece baixa. Contudo, há risco de ações violentas contra edifícios públicos e autoridades", dizia a mensagem, enviada a GDias —como o ex-ministro é conhecido— e também ao Ministério da Justiça. 

Na manhã de 7 de janeiro, novo informe foi enviado ao ex-ministro e à pasta de Dino. O texto, repassado às 10h30, alertava para a chegada de 18 ônibus de outros estados para o acampamento em frente ao Quartel-General do Exército para "participar das manifestações". 

Na manhã dos ataques, de acordo com o documento da Abin, GDias recebeu o primeiro aviso às 8h53 diretamente em seu celular. O texto dizia que cerca de cem ônibus haviam chegado a Brasília para "os atos previstos na Esplanada". A mensagem foi enviada somente para o ex-ministro e não aos demais órgãos. 

Às 9h, o segundo alerta foi enviado ao ex-ministro, à diretoria de Inteligência da pasta de Dino e aos órgãos do governo do Distrito Federal. O comunicado chamava atenção para o "incremento significativo no número de barracas" no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército de sábado para domingo. 

Às 10h, a agência de inteligência enviou duas mensagens —desta vez a todas as autoridades que acompanhavam as atualizações. O texto dizia que continuava havendo "convocações e incitações para deslocamento até a Esplanada dos Ministérios, ocupações de prédios públicos e ações violentas". 

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01