Atos do 8 De Janeiro de 2023 - 28/08/2023

Abin tentou ‘se blindar’ após 8 de Janeiro, e ex-GSI pediu nome fora de relatório, revelam mensagens

                                                                       Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Ao longo dos dias que antecederam o 8 de Janeiro, a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não acreditava no potencial dos ataques às sedes dos Três Poderes, mesmo tendo acesso a informações do planejamento dos extremistas, feito em redes sociais e no acampamento no quartel-general do Exército, em Brasília, revelam mensagens obtidas pelo R7. Dois dias antes da invasão dos prédios dos Três Poderes, o risco de uma ação violenta chegou a ser apontado como "bravata" pela Abin.

As mensagens foram trocadas entre o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Gonçalves Dias, o diretor-adjunto da Abin, Saulo Moura Cunha, e o secretário de Planejamento e Gestão da agência, Leonardo Singer. Gonçalves Dias recebeu cerca de 20 relatos de Cunha nos dias anteriores à ação dos extremistas dando conta do baixo risco de uma ação violenta, mas foi só na manhã do dia 8 que ele reconheceu: "Vamos ter problemas".

As mensagens também revelam como dirigentes da cúpula da Abin chegaram a discutir um plano para se blindarem ("de todas as formas, mas sem relar no G. Dias") que envolveria até "conseguir um espaço" com alguém próximo ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Veja a cronologia das mensagens:

Quinta-feira (5/1): ‘Desmobilização’

Na quinta-feira anterior aos atos extremistas do 8 de Janeiro, Gonçalves Dias perguntou ao recém-nomeado diretor-adjunto da agência de inteligência, Saulo Moura Cunha, às 8h32, quantas pessoas havia no acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília.

Cunha disse que ia checar, e oito minutos depois respondeu que havia "cerca de 200 pessoas com retirada de estrutura e desmobilização". "Em dois dias, o número de manifestantes caiu cerca de 50%", completou, antes de enviar cinco imagens.

Na tarde daquela quinta (5/1), no entanto, o ex-diretor-adjunto da Abin avisou ao ministro do GSI que havia "convocação de atos para os dias 7 e 8" daquele mês e que "esses atos seriam em frente ao Congresso".

Sexta-feira (6/1): ‘Bravatas’

No dia seguinte, pela manhã, Gonçalves Dias compartilhou uma mensagem postada em grupos classificados por ele como "patriotas" de que haveria uma "frente" mobilizada para "fechar a entrada dos três Poderes em Brasília" e que CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) haviam sido "convocados para dar suporte" à ação dos extremistas.

Em resposta ao então ministro do GSI, Saulo Cunha afirmou que a agência estava "acompanhando" e minimizou o risco de uma ação violenta: "Ao que tudo indica, são bravatas". Ele ainda negou a existência de ônibus fretados para Brasília, reforçou o mesmo número de acampados no QG do dia anterior (200) e afirmou que o movimento havia sido avaliado como "uma tentativa de reavivar a contestação das eleições". Ao que Gonçalves Dias apenas reagiu com um sinal de "positivo".

A partir dali, as mensagens com informações de inteligência enviadas pelo então diretor-adjunto da Abin a Gonçalves Dias mudaram de tom: da avaliação inicial de "baixa adesão ao chamamento para manifestações contrárias ao governo eleito", às 9h19, passou-se ao alerta de "risco de ações violentas contra edifícios públicos e autoridades", em mensagem enviada às 20h22. Não há registro de reações do então ministro do GSI.

Fonte: Portal Grande Ponto

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01