
Empresas Fantasma - 03/03/2024
Grupo responsável por obra em presídio de Mossoró tem contratos milionários com empresas fantasmas
Falcon não funciona no endereço informado à Receita Federal. Empresa pertence, no papel, a Nathan Andrade (destaque). No local, há outras duas companhias. Funcionários afirmaram desconhecer a existência da Falcon Foto: Vinícius Valfré - @nathan2517 via Instagram
G&G não funciona no endereço onde informou à Receita Federal. No papel, empresa está em nome de Eliseuma Alves (destaque), localizada trabalhando em uma clínica de estética. Ela afirmou desconhecer a operação da G&G. Foto: Vinícius Valfré - @livraderme via Instagram BRASÍLIA - Responsável por contratos com o governo federal que somam mais de R$ 1 bilhão, a R7 Facilities, que atua dentro de presídios federais do País, afirma em balanços fazer negócios com empresas com indícios de serem fantasmas. A companhia, registrada em nome de um laranja, diz ter sido contratada para serviços que somam R$ 40 milhões por duas firmas que não funcionam nos endereços que informam à Receita Federal.
A R7 Facilities é responsável por obras de manutenção no presídio federal de Mossoró (RN), de onde duas pessoas ligadas ao Comando Vermelho fugiram no último dia 14. Conforme revelou o Estadão, a empresa tem um faturamento milionário, mas está registrada em nome de um técnico em contabilidade que recebeu 12 parcelas do auxílio emergencial durante a pandemia da covid-19. Gildenilson Braz Torres mora em uma casa simples na periferia do Distrito Federal e tinha apenas R$ 523,64 em suas contas bancárias, segundo ação de execução fiscal de fevereiro de 2022.
Em nota, a R7 Facilities informou que tem um “histórico inquestionável de excelência na prestação de seus serviços”, mas não explicou supostos serviços com empresas que não existem. A empresa ressaltou que “se reserva o direito de não fazer comentários sobre o setor privado, nem sobre seus contratos nem sobre empresas parcerias”.
Em uma relação de contratos com órgãos públicas e privados entregue ao governo federal, obtida pelo Estadão, a R7 Facilities informou prestar serviços para duas empresas com indícios de serem de fachada: a G&G Empreendimentos Imobiliários e a Falcon Facilities.
A suspeita de especialistas em serviços de terceirização já levada a técnicos do governo é a de que os contratos podem ter sido simulados para inflar balanços e ajudar a R7 a usar o benefício da desoneração da folha de pagamento para oferecer preços mais vantajosos em processos licitatórios. A Controladoria-Geral da União (CGU) investiga a atuação das empresas.
A G&G Empreendimentos Imobiliários tem como endereço um escritório num prédio comercial na área central de Brasília. No local funciona uma outra firma, a Siello Tecnologia, que pertence ao advogado Alair Ferraz, ligado ao ex-deputado distrital Carlos Tabanez, apontado como o verdadeiro dono da R7 Facilities. Uma funcionária que trabalha no escritório da Siello disse à reportagem desconhecer a G&G. No papel, a G&G pertence a Eliseuma Costa Alves, a Elis. Ela é dona de uma clínica de estética e não soube dar informações sobre a companhia. Em seu Linkedin, ela conta ter sido funcionária da B2B, uma outra empresa do mesmo grupo apontado em reportagem do Estadão e que entrou na mira da Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de conluio e de fraude em licitações. A reportagem encontrou Elis em sua recém-inaugurada clínica, num prédio em Taguatinga, região administrativa do DF. Ela deu informações equivocadas sobre a operação da G&G Empreendimentos Imobiliários e sequer sabia da existência da R7 Facilities, com quem teria um contrato de R$ 26,8 milhões. Segundo dados da Receita, a G&G não presta serviços de terceirização. Na verdade, ela atua com incorporação de empreendimentos imobiliários, cultivo de grãos e criação de animais.
Por fim, Eliseuma indicou o advogado Amom Figueiredo para comentar sobre o assunto como representante da G&G. Amom é aliado de Tabanez e diretor operacional da R7 Facilities. O vínculo de Amom com a G&G e, ao mesmo tempo, com a R7 reforça indícios de atuação conjunta do grupo. Procurados, eles não quiseram comentar.
Já a Falcon Facilities, outra empresa que teria contratado a R7 Facilities por R$ 13,8 milhões, está registrada em um prédio na região do Núcleo Bandeirantes. No local funcionam outras duas empresas, a B2B e a AC Segurança. Dois colaboradores negaram à reportagem a existência da Falcon no local.
A Falcon tem como advogado em processos na Justiça Alair Ferraz. Na Receita Federal, o administrador é Nathan Almeida, o Nanau. Ele fez campanha em suas redes sociais para Tabanez nas eleições de 2022. O ex-policial conseguiu 14,5 mil votos, insuficientes para assumir uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Procurado na residência onde mora e por meio de um aplicativo de mensagens, Nanau não se manifestou e bloqueou a reportagem. Fonte O Estadão
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Comentários
disse:
em 01/01/1970 - 12:01
