Governo do Paraguai - 22/12/2025

Presidente do Paraguai cobra diplomacia após inauguração de ponte separado de Lula: 'Não puderam chegar a um acordo'

                                                        Créditos: Reprodução

 

Depois de inaugurarem a mesma ponte em eventos diferentes – cada um de um lado da fronteira – Lula e o presidente paraguaio, Santiago Peña, encontraram-se na Cúpula do Mercosul no sábado (20), em Foz do Iguaçu, e comentaram a situação. Peña lamentou o fato de a representação diplomática dos dois países não ter conseguido chegar a um acordo. E disse que ficou com um "gosto amargo na boca".

Lula inaugurou a Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu, à cidade paraguaia de Presidente Franco, em evento oficial na tarde de sexta-feira (19). O presidente paraguaio não compareceu ao evento e, no dia seguinte, realizou uma outra inauguração, do lado paraguaio da fronteira.

Durante a inauguração brasileira, Lula comentou a ausência do presidente paraguaio: “Eu quero explicar por que não estou aqui com o Santiago Peña. Ele não podia hoje, por um problema familiar em Assunção, e eu não podia amanhã à tarde, porque termino [a Cúpula do] Mercosul e preciso voltar a Brasília. Então, eu inauguro o lado brasileiro, ele inaugura o lado paraguaio, e ganha o Brasil e ganha o Paraguai”, disse o presidente.

No sábado, durante o discurso na reunião da Cúpula, o presidente paraguaio se dirigiu diretamente a Lula. Disse que o vê como "um grande líder, que abraça as causas populares". Durante o discurso, o presidente afirmou ainda que vê em Lula um amigo do Paraguai e o agradeceu por isso. No entanto, ao falar sobre a inauguração da Ponte da Integração, Peña foi enfático nas críticas.

"Mesmo dentro de meu incurável otimismo, também tenho que ser realista. [...] Porque vejo que, apesar dos avanços, vejo uma mesquinhez política. Vejo que, para além dos discursos que repetimos a cada seis meses nessas cúpulas, quando temos que implementar muitas das ações, não vemos grandes avanços. E um exemplo, presidente Lula: o senhor mencionou a inauguração da ponte no dia de ontem. E nisto assumo, em parte, a responsabilidade -- a responsabilidade da minha chancelaria e da sua chancelaria, que depois de 50 anos da inauguração da Ponte da Amizade, as chancelarias não puderam chegar a um acordo para que o senhor e eu pudéssemos nos encontrar no meio dessa ponte para celebrar um feito histórico."

Em tom um pouco mais leve, Peña concluiu com o que chamou de "desafio" a Lula. Sugeriu que os dois presidentes troquem números de telefone para que possam, eles mesmos, combinar a melhor data para a inauguração de um novo projeto: a ponte entre a cidade paraguaia de Carmelo Peralta e Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.

Segundo o presidente do Paraguai, isso seria necessário "porque claramente os chanceleres demonstraram que não são capazes de fazer um acordo". E convidou: "quero estar com o senhor e lhe dar um abraço no dia da inauguração desta ponte".

Para o professor Aníbal Orué Pozzo, coordenador da pós-graduação Integração Paraguai-Brasil, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a ausência de Peña tem peso político e simbólico dentro do bloco.

O episódio, segundo o especialista, evidenciou ruídos diplomáticos entre os dois países na véspera da Cúpula do Mercosul. Segundo ele, o país tem optado por um alinhamento mais forte com os Estados Unidos. "Tanto assim que o Marco Rubio cita o Paraguai explicitamente como um dos melhores aliados dos Estados Unidos no mundo. Então, a partir disso, o Peña se sente fortalecido num espectro em que o Paraguai estava muito isolado", comenta.

“O Paraguai está com uma política externa muito fraca e indecidida [...] A não presença do Santiago Penha, como presidente do Paraguai, enfraquece e reorienta as relações do Paraguai para outras áreas e não para o Mercosul. Eu acho que enfraquece o Mercosul, porque o Mercosul funciona com consenso”, afirma Pozzo.

A 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados marcou o encerramento da presidência temporária do Brasil à frente do bloco e teve a presença de autoridades da região.

Com informações de g1

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01