
Lideranças petistas pedem que vice-governador esclareça futuro político e alerta para risco de ruptura na aliança construída com o MDB para a sucessão estadual - 24/12/2025
Francisco e Natália cobram posicionamento Walter Alves sobre 2026: “Já passou da hora”
Francisco e Natália cobram posicionamento Walter Alves sobre 2026: “Já passou da hora” - Fotos: Eduardo Maia/ALRN // Bruno Spada/Câmara // José Aldenir / Agora RN
Parlamentares do PT no Rio Grande do Norte reagiram nesta terça-feira 23 às recentes declarações do vice-governador Walter Alves (MDB) – que admitiu publicamente pela primeira vez, no último fim de semana, que poderá não assumir o governo em 2026, após a esperada renúncia de Fátima Bezerra (PT). Ele também não descartou ser candidato a deputado estadual e apoiar a candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), que faz oposição ao PT.
Em entrevista ao AGORA RN, o deputado estadual Francisco do PT, líder do governo na Assembleia Legislativa, e a deputada federal Natália Bonavides cobraram de Walter um posicionamento claro e formal sobre 2026. Ambos afirmam que a indefinição prolongada gera insegurança política e tensiona uma aliança que, segundo eles, foi construída com base em compromissos explícitos. Francisco do PT foi o mais enfático. Para ele, “já passou da hora” de Walter Alves dar fim às especulações e comunicar qual será o seu futuro político. O deputado estadual lembrou, ainda, que a tática eleitoral já anunciada pelo PT foi acertada em conversas prévias tidas com o MDB.
“Nós temos pré-candidato a governador, que é Cadu Xavier, e pré-candidata ao Senado, que é Fátima Bezerra. Isso havia sido combinado, dialogado, discutido com o vice-governador. Não por mim propriamente dito, porque eu não participei dessas reuniões, mas nós fomos informados pelos interlocutores do governo”, disse Francisco.
O líder do governo na Assembleia relatou, inclusive, que o presidente de honra do MDB, o ex-senador e ex-governador Garibaldi Alves Filho – pai de Walter –, chegou a externar publicamente, durante um evento em setembro, apoio à chapa Cadu/Fátima em 2026. Isso aconteceu na presença de lideranças nacionais do PT, como a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
“Eu não estou falando de alguma coisa que eu ouvi dizer, que alguém me contou não. Eu estava lá e vi”, frisou.
Para Francisco do PT, enquanto não houver uma comunicação oficial de Walter ao PT e à governadora Fátima Bezerra, o que deve prevalecer é a palavra dada. “Para mim, vale o que está dito oficialmente, a não ser que Walter tenha delegado alguém para falar por ele e ainda não nos comunicou”, disse, em referência ao deputado federal João Maia (PP) – que, no fim de semana, revelou que Walter Alves não assumirá o governo, será candidato a deputado estadual e já teria “combinado” apoio a Allyson Bezerra para o governo.
Francisco acrescentou que, na política, acordos têm peso e não podem ser relativizados por declarações indiretas. “Eu tenho escutado muito nas rodas políticas desse Estado que o acordado sai barato. É o que vale.”
Questionado se havia conhecimento de alguma reunião já agendada entre Walter e a governadora, Francisco afirmou que há expectativa de diálogo, embora sem data definida. “A presidente do PT, Samanda Alves, já esteve dialogando com ele, e as informações que eu disponho é que haverá um diálogo”, disse, acrescentando que não acredita que o vice-governador deixe de procurar Fátima Bezerra para externar sua posição.
O deputado também comentou a hipótese levantada pelo próprio Walter de apoiar outro projeto ao governo. Para Francisco, qualquer movimento fora da aliança construída significaria, na prática, um rompimento político. Ele descartou a possibilidade de composições parciais, como apoiar Fátima ao Senado, mas não o candidato petista ao governo.
“Nós temos uma chapa: Cadu pré-candidato a governador e Fátima pré-candidata a senadora. Nós trabalhamos com a tese de que essa unidade construída seja em torno dessas candidaturas”, afirmou.
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disse:
em 01/01/1970 - 12:01
