Presidente da Fetronor defende subsídios e redução de impostos diante de escalada de custos e impacto da crise internacional - 24/03/2026

Aumento dos combustíveis liga alarme para alta de inflação em todos os setores

Eudo Laranjeiras Fetronor (13)                                                            Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor, afirma que, se a guerra no Oriente Médio continuar, o mundo vai pagá-la - Foto: José Aldenir/Agora RN                                                                                                        

A disparada nos preços dos combustíveis, impulsionada pela instabilidade geopolítica e pela alta do petróleo no mercado internacional, tem pressionado o setor de transporte no Rio Grande do Norte e acendido o alerta para risco de desabastecimento e redução de serviços. A avaliação é do presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, que aponta um cenário de forte deterioração dos custos operacionais e defende a atuação imediata do poder público.

Segundo o dirigente, a volatilidade dos preços tem sido diária e já provocou aumentos expressivos em curto espaço de tempo. “O preço subiu 25% de uma semana para outra. Ninguém aguenta”, afirmou. O impacto, de acordo com ele, é direto nas empresas: apenas em sua operação, o custo geral do serviço aumentou cerca de 10%.

A escalada ocorre em um contexto de elevação do barril de petróleo, que já ultrapassou a casa dos US$ 100 e pode avançar ainda mais, elevando pressões inflacionárias em toda a cadeia produtiva. Como o transporte é base para a distribuição de bens, o aumento do diesel tende a se refletir em preços mais altos para consumidores.

No transporte público, o efeito é ainda mais sensível. Diferentemente de outros segmentos, o setor não tem liberdade para repassar rapidamente os custos, por depender de tarifas reguladas. “A gente fica tolhido por uma tarifa e entende que não deve repassar para o usuário”, disse Laranjeiras. Segundo ele, o cenário coloca as empresas diante de um dilema entre reajustar passagens ou absorver prejuízos crescentes.

Diante desse quadro, a Fetronor tem defendido medidas emergenciais, como subsídios diretos, compensação de gratuidades e redução de tributos. O dirigente informou que já encaminhou pleito ao governo estadual solicitando apoio para manter a operação. “O último ponto para nós seria aumentar a tarifa. O passageiro não pode pagar essa conta”, afirmou.

O risco, segundo ele, é de retração na oferta de transporte. “Vai reduzir bastante o número de viagens de ônibus na rua, porque não tem quem pague uma conta dessa”, disse. Em um cenário mais crítico, Laranjeiras admite a possibilidade de paralisação parcial dos serviços caso não haja suporte. “Ninguém quer ganhar dinheiro agora, quer sobreviver”, afirmou.

Além do aumento efetivo dos preços, o dirigente também critica o que classifica como especulação na cadeia de combustíveis. Segundo ele, reajustes estariam sendo repassados antes mesmo da chegada de novos estoques mais caros, ampliando a pressão sobre as empresas.

A discussão sobre alternativas energéticas, como veículos elétricos, ainda esbarra em limitações tecnológicas e de custo. De acordo com Laranjeiras, a autonomia das baterias e o alto valor dos veículos inviabilizam a adoção em larga escala no curto prazo, especialmente em regiões com menor capacidade de investimento.

Para o setor, o cenário segue marcado por incertezas. A continuidade da crise internacional e a ausência de medidas estruturais podem agravar o quadro, com reflexos diretos sobre a mobilidade urbana e o abastecimento de serviços essenciais no Estado.

Escala 6×1 e falta de motoristas ampliam pressão sobre o transporte público

A discussão sobre a adoção da escala 6×1 no Brasil tem gerado preocupação no setor de transporte, que já enfrenta escassez de mão de obra e aumento de custos operacionais. Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, a eventual redução da jornada sem ajustes estruturais pode comprometer a prestação do serviço.

Segundo ele, a diminuição das horas trabalhadas, sem redução proporcional de salários, exigiria ampliação do quadro de funcionários — o que esbarra na dificuldade de contratação. “Se quiser manter os serviços funcionando, você tem que contratar mais pessoas. E hoje não temos motoristas suficientes”, afirmou.

O dirigente defende que qualquer mudança na jornada seja feita de forma gradual e negociada entre sindicatos, empresas e governo. Para ele, uma transição abrupta poderia gerar desequilíbrios no setor. “Isso precisa ser discutido com calma, caso a caso. Não pode ser uma mudança de uma vez”, disse.

A preocupação se intensifica diante da escassez estrutural de profissionais. De acordo com Laranjeiras, o Brasil enfrenta um déficit superior a 100 mil motoristas, considerando os segmentos de transporte urbano e rodoviário. A dificuldade de reposição da mão de obra está ligada a fatores como condições de trabalho, segurança e perda de atratividade da profissão ao longo dos anos.

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01