Rio Grande do Norte chegou a 115 casos de intoxicação por ciguatera - 02/05/2026

Venda de pescado despenca após casos de intoxicação por ciguatera, diz Federação

Peixes da Semana Santa 76 930x524                                                    Venda de pescado despenca após casos de intoxicação por ciguatera, diz Federação - Foto: José Aldenir / AGORA RN                                                                                                                                               

A comercialização de pescado em Natal registrou queda de cerca de 90% nos últimos dias, segundo a Federação dos Pescadores do Rio Grande do Norte (Fepern). A retração ocorre em meio à repercussão de casos de intoxicação por ciguatera associados ao consumo de peixe e já afeta diretamente a renda de pescadores e comerciantes locais.

De acordo com o presidente da Federação, Rosângela Nascimento, o receio dos consumidores tem impactado todo o mercado, inclusive espécies que não estão relacionadas aos episódios. “É uma situação muito difícil. Eu entendo a sociedade quando não quer comer peixe, mas também tem o nosso lado de pescador que sobrevive da pesca”, afirmou, em entrevista à TV Tropical. Ela destaca que grande parte dos pescadores da capital potiguar atua na costa e que os peixes associados à toxina vêm de áreas mais distantes. A intoxicação por ciguatera está associada ao consumo de algumas espécies, como bicuda e arabaiana. Segundo a Federação, a contaminação ocorre em áreas de arrecifes, onde peixes menores ingerem toxinas que, posteriormente, passam para espécies maiores. Apesar disso, o temor generalizado tem reduzido a procura por diferentes tipos de pescado.

Diante do cenário, foi realizada uma reunião entre a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e da Pesca (Sape-RN) e pescadores para levantar informações e subsidiar ações da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN). A categoria afirma, no entanto, que ainda não houve diálogo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, e avalia que não há viabilidade para a adoção de um período de defeso neste momento.

Os impactos já são sentidos em toda a cadeia produtiva. De acordo com Rosângela, há embarcações sendo colocadas à venda por falta de compradores e estoques parados. “Me deparei com um vendedor de peixe que vende para hotéis e restaurantes com seu freezer cheio, porque os clientes pediram para segurar o produto”, afirmou.

Casos

O Rio Grande do Norte chegou a 115 casos de intoxicação por ciguatera. Segundo a Sesap, o Estado é o único do País a realizar notificação específica para esse tipo de contaminação. Diante da alta no número de ocorrências, com 90 casos confirmados apenas em 2025, a pasta divulgou uma nota técnica com orientações voltadas à população, comerciantes e profissionais de saúde. Desde 2022, o RN registra episódios de ciguatera.

Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01