Apreensão - 02/10/2026

PF apreende R$ 400 mil em espécie em Mossoró e apura possível uso eleitoral

Notas de dinheiro e dois celulares apreendidos pela Polícia Federal                                                                 Esta é a segunda grande operação com apreensão de dinheiro no RN nesta eleição — Foto: PF / Reprodução                                                                                                                                                                

A Polícia Federal apreendeu R$ 400 mil em espécie na tarde desta quinta-feira 1º, em Mossoró. A suspeita é de que o dinheiro seria utilizado de forma ilícita para favorecer uma campanha eleitoral — o nome do candidato envolvido na ação não foi divulgado. A ação foi realizada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo a PF, a apreensão ocorreu depois do recebimento de informações sobre uma movimentação financeira suspeita. Os policiais realizaram diligências e acompanharam a movimentação, confirmando o saque dos R$ 400 mil por uma pessoa que, de acordo com a PF, tem vínculo direto com o candidato cuja campanha seria beneficiada.

Além do dinheiro, os agentes apreenderam dois aparelhos celulares. Os equipamentos serão analisados para subsidiar o aprofundamento da investigação, que prossegue para esclarecer as circunstâncias da movimentação financeira e verificar a eventual prática de crimes eleitorais.

A nova ação ocorre pouco mais de duas semanas depois da Operação Sem Lastro, deflagrada em 14 de setembro, em Natal. Na ocasião, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Eleitoral e recolheu R$ 1,51 milhão em espécie na residência do deputado estadual Luiz Eduardo (PL), candidato à reeleição. Também foram apreendidos celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.

Assim como agora, no caso de Luiz Eduardo, a investigação apura suspeitas de falsidade ideológica eleitoral e utilização de recursos não declarados em atividades de campanha.

Em vídeo divulgado após a operação, o deputado afirmou que o dinheiro havia sido retirado de sua previdência em 8 de julho, em um único saque, e permanecera intacto em casa durante 68 dias. O parlamentar também negou ter fracionado a retirada para evitar mecanismos de fiscalização financeira.

No pronunciamento, Luiz Eduardo não explicou por que decidiu manter a quantia em espécie na residência nem qual seria a destinação futura dos recursos. Também não identificou a instituição responsável pela previdência ou apresentou extratos e comprovantes no vídeo.

A defesa sustentou que a movimentação era lícita, declarada e documentalmente comprovável, comprometendo-se a apresentar os registros às autoridades. Os advogados também argumentaram que os valores não haviam sido utilizados e que a ausência de gastos afastaria uma finalidade eleitoral.

Apreensões na campanha

As duas apreensões no Estado ocorrem em meio ao crescimento do volume de recursos recolhidos em investigações eleitorais no País. Em balanço com dados disponíveis até quarta-feira 30, portanto antes da ação em Mossoró, a Polícia Federal já havia apreendido pelo menos R$ 30 milhões em dinheiro e bens desde janeiro de 2026. Desse total, R$ 19 milhões correspondiam a dinheiro em espécie encontrado com candidatos ou intermediários, enquanto R$ 11 milhões representavam o valor estimado de bens, como veículos, imóveis e celulares.

O montante nacional já é três vezes superior aos R$ 10 milhões registrados durante todo o ano eleitoral de 2022, embora ainda esteja abaixo dos R$ 63 milhões apreendidos nas eleições municipais de 2024. Até o balanço de quarta-feira, a PF havia instaurado 1.217 inquéritos sobre crimes eleitorais em todo o Brasil. No Rio Grande do Norte, eram 46 procedimentos, dos quais 23 apuravam indícios de caixa dois.

Nas investigações, a corporação busca estabelecer a origem e a destinação dos recursos, além de identificar possíveis vínculos com compra de votos ou movimentações de campanha não informadas à Justiça Eleitoral.

Entre os elementos analisados estão a proximidade dos saques com a votação, o perfil das pessoas que transportam os valores e a existência de relações com candidatos, assessores ou intermediários.

Fonte Agora RN.

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01