
Dos R$ 4 bilhões autorizados pelo banco para governadores e prefeitos de todo o País, só R$ 89 milhões chegaram à região este ano - 05/08/2019
Com nova gestão da Caixa, Nordeste recebe apenas 2,2% dos empréstimos

No ano passado, o Nordeste recebeu da Caixa R$ 1,3 bilhão, o equivalente a 21,6%
A Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano, segundo revelou um levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo com base nos números do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional. Em 2019, até julho, o banco autorizou novos empréstimos no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o País. Enquanto isso, para o Nordeste, foram fechadas menos de dez operações que, juntas, totalizam apenas R$ 89 milhões, ou cerca de 2,2% do total, um volume muito menor do que em anos anteriores.
No ano passado, o Nordeste recebeu da Caixa R$ 1,3 bilhão, o equivalente a 21,6% dos R$ 6 bilhões fechados pela instituição em operações para governos regionais. Em 2017, o banco contratou R$ 7 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão foi direcionado para governadores e prefeitos nordestinos (18,6% do total).
A ordem para não contratar operações para os Estados e municípios do Nordeste veio do presidente Pedro Guimarães. Sob condição de anonimato, elas confirmam que ouviram a orientação em mais de uma ocasião.
Na quarta-feira, ao saber do teor da reportagem, Guimarães prometeu conceder uma entrevista na quinta-feira, 1.º, sobre esse ponto. O banco, porém, apenas enviou uma nova nota. Nela, afirmou que as contratações (novas concessões) apresentam “sazonalidade” e variação ano a ano, “dependendo ainda do número de pleitos recebidos bem como da aprovação dos ritos anteriormente relacionados”.
Segundo o banco, de R$ 2,8 bilhões desembolsados neste ano para Estados e municípios, R$ 706 milhões foram para o Nordeste, “número expressivo em âmbito nacional”.
Os desembolsos são diferentes das contratações porque estão relacionados a contratos que foram firmados em anos anteriores. A Caixa não respondeu sobre os números de contratações neste ano.
Na semana passada, o banco orientou a reportagem do Estadão a fazer a procura no site. Depois, ao ser questionada sobre a queda na participação do Nordeste na comparação com o que foi contratado nos anos anteriores, a Caixa destacou “problemas de endividamento” decorrentes da crise pela qual passam alguns Estados e municípios, inclusive das regiões Norte e Nordeste.
As operações do Nordeste neste ano saíram para seis municípios baianos, um de Pernambuco e outro de Sergipe.
Ao contrário do que diz o banco, o jornal apurou que há uma fila de pedidos de empréstimos para a região Nordeste que não foram autorizados pela instituição. Entre eles, está o de um financiamento de R$ 133 milhões para a prefeitura de São Luís (MA), para bancar obras de infraestrutura. O pedido do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) foi feito no dia 9 de maio e até hoje não houve uma resposta.
A orientação para a área técnica, segundo apurou a reportagem, era de não aprová-lo mesmo estando tudo certo. A estratégia foi protelar até os documentos vencerem em 30 de junho. A prefeitura de São Luís foi procurada, mas não se manifestou.
Situação oposta teve a prefeitura de Florianópolis, de Gean Loureiro (sem partido). O pedido de crédito de R$ 100 milhões para obras de infraestrutura, transporte, energia e logística feito no início de julho foi atendido em menos de uma semana e anunciado solenemente por Pedro Guimarães no dia 17 de julho, quando visitou a cidade. Para a solenidade estava prevista a presença do presidente Jair Bolsonaro, que cancelou a ida.
O governo da Paraíba, de João Azevedo (PSB), também fez um pedido de R$ 188 milhões no dia 11 de junho e também ficou sem resposta.
Banco tem R$ 20 bi em operações no Nordeste
Neste mês, antes de um café da manhã com jornalistas estrangeiros, em uma conversa informal com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que daqueles “governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada para esse cara”. Depois, se justificou dizendo que fez uma crítica de “três segundos” aos governadores do Maranhão e Paraíba, que são “intragáveis”.
Para conseguir um desembolso de R$ 293 milhões em 8 de julho, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), precisou recorrer à Justiça e, mesmo depois de decisão favorável, teve que esperar algumas semanas. A operação foi travada por pendências de documentação. O governo estadual, porém, as sanou e conseguiu que a Justiça determinasse o repasse.
Já Goiânia recebeu sinalização de que vai conseguir R$ 780 milhões para mobilidade urbana mesmo sem aval da União (ou seja, se o município der calote, o governo federal não cobre). O pedido de Iris Rezende (MDB) foi feito em 7 de julho.
Para justificar a queda na participação do Nordeste no total de empréstimos aprovados para Estados e municípios neste ano, a Caixa afirmou que as contratações das operações apresentam ‘sazonalidade ao longo do exercício’ e também variação ano a ano, dependendo ainda do número de pleitos recebidos. O banco ressaltou ainda que a aprovação depende ainda das câmaras municipais e assembleias. Fonte Agora RN.
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Comentários
disse:
em 01/01/1970 - 12:01
