Micose é transmitida pelos gatos. Especialistas da UFRN explicam que a morte de humanos é rara, mas estão preocupados com o aumento no número de pacientes. - 24/01/2020

Estudo aponta 1 morte e 131 infectados por esporotricose no RN; pesquisadores alertam para crescimento da doença

Por G1 RN

Gatos são transmissores da doença — Foto: Cícero Oliveira

Gatos são transmissores da doença — Foto: Cícero Oliveira

Uma pessoa morreu e pelo menos outras 131 já foram infectadas pela esporotricose - doença emergente provocada por fungos e transmitida por gatos - no Rio Grande do Norte desde 2016. Isso é o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Eles estão preocupados com o crescimento no número de pacientes e animais atingidos no estado.

Essa micose chegou em solo potiguar há cerca de cinco anos. Hoje, os pesquisadores alertam que o fungo, do gênero Sporothrix, tem se espalhado muito rápido por Natal e região metropolitana, principalmente Parnamirim, Extremoz e São Gonçalo. A doença também já foi encontrada em Santo Antônio.

A única morte no estado foi registrada em uma artesã de Parnamirim no ano de 2016. Ela contraiu a forma mais grave da doença, a pulmonar e, devido demora no diagnóstico, não resistiu. A probabilidade de óbito em humanos, no entanto, é baixa. Já nos animais, a esporotricose geralmente evolui para a morte, principalmente com a demora no início do tratamento.

A infectologista Evelin Pipolo, do Departamento de Infectologia da UFRN, foi responsável por diagnosticar o primeiro caso em humanos no estado, em outubro de 2016 - nos gatos, a confirmação aconteceu em 2015.

 

Segundo Pipolo, os pacientes infectados apresentam geralmente ferimentos visíveis devido a mordida ou arranhão de gatos. A infecção pode ocorrer também pelo contato do fungo na pele ou mucosa por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira e contato com vegetais em decomposição. Basta uma microlesão ou uma simples coçada de olho para o microrganismo se instalar.

Segundo o biomédico Thales Arantes, do Instituto de Medicina Tropical (IMT/UFRN), essa espécie de fungo causa lesões mais graves e se prolifera em menor tempo quando comparada a outras, principalmente nos animais. “É importante o controle da esporotricose porque com um gato doente no ambiente doméstico, muito provavelmente, você e/ou algum membro da família irão contrair esporotricose também. As chances são de pelo menos 70%. Por isso, quanto mais rápido o diagnóstico e início do tratamento, menor será a dispersão do fungo no ambiente”, afirma o pesquisador.

Tratamento

Um dos fatores preocupantes é o desconhecimento sobre a doença, que pode retardar o diagnóstico - o período de incubação da esporotricose é variável, de uma semana a um mês, podendo chegar a seis meses após a entrada do fungo no organismo. O diagnóstico laboratorial dos casos humanos até o momento, tem sido realizado no laboratório da Faculdade de Farmácia da UFRN, no âmbito de um projeto de pesquisa.

Para a médica Eveline Pipolo, outra preocupação é em relação à garantia do tratamento. "A esporotricose é tratada com Itraconazol, medicamento relativamente caro para pessoas em vulnerabilidade social. Seu custo médio é de R$ 80 mensais, com um tempo de tratamento que varia de três a seis meses, podendo se estender por um ano”, explica.

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01