
Serviço que incluiu a demolição do prédio e a limpeza total da área durou muito menos do que os 60 dias estimados inicialmente pelo Grupo Duarte, contratad - 03/02/2020
Empresa conclui limpeza da área do antigo Reis Magos, 25 dias após início da demolição

Donos do terreno ainda não sabem o que será construído no local
Foi concluída nesta segunda-feira (3), antes do prazo previsto, a limpeza do terreno que abrigou o Hotel Internacional dos Reis Magos, na Praia do Meio, Zona Leste de Natal. Com isso, o serviço que incluiu a demolição do prédio e a limpeza total da área durou apenas 25 dias, muito menos do que os 60 dias estimados inicialmente pelo Grupo Duarte, contratado para a operação.
Todos os resíduos do antigo hotel foram levados, segundo o Grupo Duarte, para a usina de reciclagem da empresa, que fica em São José de Mipibu, na Grande Natal. Os destroços poderão ser reaproveitados na construção civil.
O Grupo Hotéis Pernambuco, dono do terreno, disse que espera erguer um novo empreendimento no local, mas aguarda a revisão do Plano Diretor para decidir que investimento fará na região.
Marco da arquitetura modernista na cidade, o Hotel Internacional dos Reis Magos estava abandonado na Praia do Meio havia 25 anos. Desde então, a estrutura foi se deteriorando, ao ponto de laudos apontarem a inviabilidade técnica e financeira de recuperação da estrutura.
O prédio começou a ser derrubado no dia 8 de janeiro. Máquinas escavadeiras auxiliaram na demolição da estrutura, de quatro pavimentos. Um isolamento parcial foi feito nas ruas do entorno, para a segurança dos moradores e motoristas que trafegavam pela região.
A autorização para a derrubada do hotel, a partir de um alvará, foi expedida pela Prefeitura do Natal. Em dezembro, o Município recebeu autorização do desembargador Vivaldo Pinheiro, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, para liberar a derrubada caso o Governo do Estado – que analisava um pedido de tombamento havia seis anos – não se pronunciasse, não concluísse o processo ou não tombasse o patrimônio.
Um dia antes de começar a demolição, a Procuradoria Geral do Estado e a Secretaria Estadual de Educação, Cultura, Esporte e Lazer – onde tramita o processo de tombamento – informou que não conseguiria concluir o processo no tempo estipulado pelo desembargador (15 dias).

Hotel Internacional dos Reis Magos, em foto de arquivo – Foto: José Aldenir / Agora RN
RELEMBRE
O Hotel Internacional Reis Magos foi inaugurado em setembro de 1965. A estrutura funcionou como hotel de luxo em Natal entre os anos de 1965 e 1995, quando foi desativado.
O hotel foi um marco do turismo do Rio Grande do Norte. No local, ficaram hospedadas personalidades como o príncipe Philip, do Reino Unido; o rei do futebol, Pelé; os ex-presidentes Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo; a apresentadora Xuxa; e o cantor Roberto Carlos, entre outras figuras de expressão. O espaço também era frequentado por moradores da cidade, já que o hotel também chegou a abrigar uma boate.
O complexo contava com 63 apartamentos, uma suíte presidencial, recepção, salões nobres, elevadores, parque aquático, sauna, playground, restaurante, estacionamento com aproximadamente 50 vagas, salão de beleza, áreas de lazer, lojas de artesanato e serviço médico. O auge do hotel foi nos anos 1980.
Após muitas mudanças de proprietários, o hotel deixou de funcionar em 1995 e depois acabou parando nas mãos do grupo Hotéis Pernambuco. Em 2014, os donos chegaram a anunciar que iriam revitalizar o hotel e reativar o empreendimento, com um investimento (à época) de R$ 130 milhões. O negócio, contudo, não evoluiu. Desde então, o Grupo Hotéis Pernambuco buscava autorização judicial para demolir o hotel.
A demolição não era autorizada e se arrastou por sete anos na Justiça porque o tombamento do Reis Magos foi solicitado pelo Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (Iaphacc) em quatro processos – três na esfera administrativa (Prefeitura, Estado e União) e uma na judicial (Justiça Federal).
De todos os procedimentos, apenas um ficou indefinido: o que tramitou no Governo do Estado. Os demais órgãos entenderam que o hotel não configurava um patrimônio histórico.
Diante da demora na finalização do processo de tombamento no Governo do Estado, a Prefeitura do Natal ingressou com uma ação em novembro do ano passado exigindo uma manifestação final do Estado, ou a autorização para que o Município liberasse a demolição. Essa decisão saiu em dezembro.
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disse:
em 01/01/1970 - 12:01
