
Com demanda da Covid-19, unidades de pronto atendimento estão operando no limite da capacidade. Família de Dona Paula tenta trazê-la de volta para casa. - 03/06/2020
Após tentar leito em duas UPAs, idosa de 97 anos com suspeita de Covid-19 passa noite em cadeira em unidade de Natal
G1 RN e Inter TV Cabugi
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Dona Paula segue "internada" em uma poltrona — Foto: Cedida pela família
Uma idosa de 97 anos aguarda um leito de internação sentada em uma poltrona desde a tarde de terça-feira (2) em Natal. Com 42 graus de febre, falta de ar e dores no corpo - sintomas da Covid-19 - a família de Paula Morais acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) às 11h de terça.
A ambulância ficou parada na frente da casa de Dona Paula por cerca de duas horas porque os socorristas não tinham para onde levá-la. Com os atendimentos relacionados ao novo coronavírus, as Unidades de Pronto Atendimento em Natal estão operando no limite. Na cidade vizinha de Parnamirim, uma pessoa aguardou atendimento deitada na calçada da UPA Nova Esperança.
Mesmo assim, a ambulância da Samu saiu em direção à UPA de Cidade da Esperança. Ao chegar na unidade, familiares e socorristas confirmaram o que já era esperado: não havia vagas. Inclusive, outra idosa já aguardava leito de internação na UPA antes da chegada de Dona Paula. A idosa de 97 anos foi colocada em outra ambulância e levada para a UPA Pajuçara, que fica no outro lado da cidade, na Zona Norte de Natal.
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Dona Paula está em sala com pouca ventilação — Foto: Cedida pela família
"Ela não conseguiu dormir. Imagina uma pessoa de 97 anos nessa situação, sem o mínimo de dignidade. A agulha do soro ficava saindo porque ela se mexia demais, justamente por estar sentada. Tentamos colocar ela em uma cadeira de rodas, mas ela cortou a perna e a unidade não tinha material para fazer curativo", conta Raíssa Andrade.
Sem conseguir tratamento adequado, a família de Dona Paula Morais tenta trazê-la de volta para casa. Eles tentam contratar uma ambulância particular, mas os veículos estão retidos com pacientes nas unidades de saúde.
Raíssa conta que tenta ainda reunir recursos para comprar um cilindro de oxigênio, oxímetro e contratar os serviços de um técnico de enfermagem para manter a avó internada em casa. "O retorno dela para casa depende disso. É preciso o mínimo de dignidade, ela não pode ficar lá na UPA naquela situação", acrescenta.
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Comentários
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em 01/01/1970 - 12:01
