
A pandemia do novo coronavírus e o desacerto entre Estado e o município de Natal em torno dos decretos de isolamento social instalou a insegurança entre os p - 11/07/2020
Restaurantes de Natal registram fluxo abaixo do esperado após reabertura

Mais de 100 dias depois de fechar o restaurante que mantém há mais de
oito anos no Alecrim e suspender 13 de seus 17 empregados, mantendo quatro deles no delivery que não vingou, Jean Régis de Oliveira, 47 anos, finalmente abriu as portas de seu estabelecimento esta semana seguindo à risca um protocolo que pareceria insano até o ano passado.
Ao invés das 40 mesas que antes ocupavam o salão de 180 m2, o empresário manteve apenas 10 mesas a uma distância de 2,5 metros uma da outra. Para facilitar as coisas, juntou duas mesas, colocando quatro cadeiras para garantir que os clientes mantivessem um certo distanciamento entre si.
Quando subiu as portas, as primeiras visitas que recebeu foram de um agente do Corpo de Bombeiros; um do Procon e outro da Polícia.
“Depois de mais de três meses fazendo uns trocadinhos, abri de
qualquer maneira porque melhor do que ganhar pouco é não ganhar
nada”, resume Jean, que desde então já pôs à venda um imóvel e um
carro para manter o seu negócio funcionando em meio à pandemia do novo coronavírus. Se vai dar certo, só o tempo dirá.
Apenas entre 16 de março e 20 de junho, o comércio varejista potiguar deixou de faturar mais de R$ 300 milhões. Nos meses de abril e maio, cerca de 10 mil empregos formais foram perdidos só no comércio e serviços e o desemprego, que era de 11,2% em fevereiro, bateu em maio a casa dos 12,3%. Segundo preveem os especialistas, até meados de outubro próximo, cerca de 77 mil potiguares devem perder seus empregos, entre formais e informais.
Segundo o presidente da Fecomércio do RN, Marcelo Queiroz, passados 100 dias de isolamento, 46 mil empresas já fecharam no RN por força dos decretos do Governo do Estado.
“Estas empresas geram cerca de 51 mil empregos e pagam R$ 60 milhões em salários”, ele estima.
Além da folha de pagamento, os empresários ainda dão conta do aluguel do ponto, contas de água, energia, internet, segurança, sistemas de vendas, impostos e fornecedores.
De acordo com Queiroz, mesmo as lojas que tiveram seu funcionamento permitido, por estarem inseridas na relação dos considerados essenciais nos primeiros 100 dias de isolamento social, registram quedas entre 35% e 70% em suas vendas.
Ou seja, mesmo que o comércio todo reabrisse amanhã – o que é muito pouco provável pelos níveis de contaminação do novo coronavírus – a queda brutal de manda e a dificuldades dos pequenos empresários acessarem crédito se encarregariam de inviabilizar os negócios, produzindo o pior e mais perverso lado da crise: o desemprego em massa.
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disse:
em 01/01/1970 - 12:01
